29 de jul. de 2009

Festival Rock DeInverno - Curitiba

Num clima chuvoso e frio “jus ao nome do festival” a 7ª edição do Festival De Inverno começou no dia 23 de julho com um bate-papo entre produtores. Realizado no Teatro Universitário de Curitiba – (TUC) o festival convidou os produtores paranaenses: Getulio Guerra (Pras Bandas), Vadeco (Projeto Astrolábio), Ivan Santos (Jornalista e De Inverno), Vlad Urban (Psycho Carnival) e Marcelo Domingues (Demo Sul), os dois últimos membros da ABRAFIN (Associação Brasileira de Festivais Independentes). Cada um falou de suas experiências profissionais, dificuldades enfrentadas e soluções encontradas para saná-las.


Durante o bate-papo Vlad fala sobre intercâmbios e como trabalhar com bandas internacionais no Brasil. Já Domingues enfatizou a importância de uma rede de cultura integrada como a do Circuito Fora do Eixo , formação de coletivos e de como trabalhar com editais públicos.


Após o bate-papo, aconteceu à festa de lançamento do festival no tradicional bar Era só o que faltava com as bandas Rosie and Me, Delta Cokers e Folhetim Urbano, todas de Curitiba.



1º dia – Chuva, frio e bons shows marcam o primeiro dia.

Por Marcelo Domingues.


Com meia hora de atraso devido a intensa chuva que não parava de cair na capital paranaense começa a maratona de shows, com destaques para Liquespace, Beto Só, Hotel Avenida e Nevilton.


A prata da casa Liquespace abriu o festival, com ótimos músicos na formação da banda que inclui até um “baixista-DJ-acordeonista” que tocava os instrumentos e soltava as programa

ções quase ao mesmo tempo, a banda destilou músicas como “Enchente” e “Mulata em chamas” do 1º CD da banda, intitulado Cidade Estrangeira, numa mistura de rock, música eletrônica e acordeon, a banda foi uma grata surpresa na primeira noite do De Inverno.





Em seguida outra curitibana, a Pão de Hambúrguer influenciada por ícones do rock brazuca dos anos 70 como O Terço, Peso e Mutantes, mostrou o lado mais rock‘n’roll da noite.



A novata Hotel Avenida possui em sua formação veteranos da cena musical de Curitiba. Desfilando ótimas músicas como “Deserto” e “Não sou um bom lugar” que vão do psicodelismo ao um folk acelerado, a banda comandada por Ivan Santos (ex-OAeOZ) e o carismático Giancarlo Rufatto revelou a que veio

arrancando os primeiros coros cantados pelo já bom público presente no festival.





Dai para frente a coisa começou a esquentar. Nevilton (natural de Umuarama e a única representantedo interiordoestado) subiu ao palco, com show sempre eletrizante, interatividade com publico, os três “caipiras brutos” botou todo mundo para dançar fazendo que o frio fosse embora de uma vez por toda.



A próxima banda a entrar no palco seria o Diedrich e Os Marlenes, mas por algum motivo uma mudança de ultima hora inverteu a programação e quem subiu foi a paulistana 3 Hombres, também formada por veteranos da cena rocker como o baixista Ronaldo Passos (Inocentes) e Jair Marcos (Fellini) mostrou novas e velhas canções. A banda só pecou no tempo de apresentação que extrapolou os 40 minutos colocados pelo festival transformando-se num show um

pouco cansativo.




Pelebroi AA Força ou Beijo Não Sei? Diedrich e Os Marlenes é a junção de membros de duas clássicas bandas de Curitiba, Pelebroi Não Sei? e Beijo AA Força, a primeira soava punk e segunda poética, e com junção das duas nesse novo projeto de Oneide e Luiz Ferreira uma coisa agora é certa nos shows - diversão, polgo e literatura de balcão.





Para fechar a primeira noite de festival, o brasiliense Beto Só fez um show surpreendente tocando músicas de seus dois Cds “Lançando Sinais - 2005” e “Dias mais Tranqüilos - 2008” empolgando a platéia restante e ainda no final empunhando seu violão convocou Oneide, Rufatto, Nevilton e Lobão (Nevilton), Ivan (Hotel Avenida) & Adriane Perin (organizadores do festival) para acompanha-lo ao som de “Gloria”(Them). Apoteótico !!!












2º dia – Festa e emoção no segundo dia de Rock DeInverno.

Por Fernando Rosa

A segunda e última noite do festival “Rock de Inverno” repetiu a qualidade musical da primeira noite e esquentou ainda mais o palco e o ambiente da ampla e confortável casa John Bull Music Hall. Com mais público do que na véspera, natural por se tratar de um sábado, a seqüência de apresentações ampliou a vitrine do rock local, a principal razão da existência do festival desde a sua criação. Um trabalho valorizado pela curadoria da dupla Ivan Santos & Adriane Perin, e também pelo exemplar desempenho do técnico e coordenador de palco Luigi Castel, ágil, competente e gentil com as bandas que passaram pelo palco do evento.


Principal atração da noite, a esperada e clássica Fellini correspondeu à expectativa do público, mesmo os mais jovens, com um show com pegada, guitarras abertas e no talo, frescor e, claro, um desfile de “hits” indies, a começar por “Rock Europeu”. A banda apresentou-se com a formação original, incluindo Thomas Pappon em férias no Brasil (atualmente ele vive em Londres), Cadão Volpato, Jair Marcos e Ricardo, além da luxuosa presença do baterista Clayton Martins. Um show emocionante para os fãs da banda, um dos principais expoentes do rock alternativo brasileiro quando isso era algo muito distante do que assistimos atualmente.


As bandas locais, por sua vez, traduziram a riqueza musical da capital paranaense, historicamente um doscentros roqueiros mais importantes do país, desde os anos sessenta. Com um dos melhores shows dofestival, a banda Mordida mostrou uma brilhante presença de palco, inventividade pop, grandes canções e riqueza instrumental, tendo a frente o guitarrista e cantor Paulo H de Nadal. Antes mais voltada para a orientação “jovemguardista”, a banda evolui para climas mais modernos, coloridos e viscerais, que conquistaram a platéia desde o primeiro acorde.


Ruído/mm confirmou os comentários positivos que vem recebendo na mídia independente, com um set instrumental climático, mas também pesado, comandado por quatro guitarras execpcionais.



Koti e Os Penitentes também fez um show divertido, com timbres e letras legais; enquanto Heitor e Banda Gentileza, que abriu a noite, mostrou que se pode transitar entre o rock e a mpb sem clonar Los Hermanos. A dupla/casal Je Revê Toi introduziu o eletro-rock na cesta de gêneros musicais oferecida pelos curadores.


Um show a parte, a paulista Lestics fechou o festival com sua requintada musicalidade, que aos poucos vai chamando a atenção da mídia especializada e do público. No repertório da apresentação, um set com seus principais temas - criados pela dupla Olavo Rocha e Umberto Serpieri – marcados por uma emocionante qualidade musical e poética. Canções como “Velho”, por exemplo, trazem a marca dos autores que buscam produzir arte e traduzir seu tempo, sem preocupar-se com velhos ou “novos” mercados.

27 de jul. de 2009

ENTÃO VOCÊ QUER FAZER SUCESSO NO MUNDO DA MÚSICA? AQUI ESTÃO AS NOVAS REGRAS.















Por Ariston Anderson

Site: http://www.walletpop.com


A indústria da música em geral tem sido lenta para se adaptar às ferramentas da nova mídia. Enquanto gravadoras e editoras ainda estão brigando para manter o controle de suas propriedades, existe um mundo novo onde uma elite da nova mídia está trabalhando para encontrar ferramentas para possibilitar aos músicos a construção de uma ponta entre a nova e a velha mídia.


Seja oferecendo música de graça na rede, trabalhando para construir uma comunidade online, ou simplesmente começando um dialogo, os que procuram respostas estão rapidamente substotuindo os antigos jogadores.


Eu decidi conferir o New Music Seminar em Nova Iorque essa semana para descobrir como os músicos estão sendo "armados".

O principal mentor dessa conferência, Tom Silverman, fundador da Tommy Boy Entertainment, começou esse Seminário em 1980 para discutir o futuro do mercado já naquela época.

Ele começou esses encontros para tocar uma indústria que era historicamente resistente a mudanças. Serviu como um fórum para jovens empreendedores lançarem seus negócios e fazer contatos e virou um modelo para novas conferências como a South by Southwest.


Desde 2000, as receitas da indústria da música vêm decrescendo regularmente. No ano que vem, pela primeira vez, as receitas com as vendas digitais devem ultrapassar as físicas. Até 2013 a conta será 80% digital e 20% física.

"A mudança não virá se você esperar pelas gravadoras", disse Silverman. "Nós somos quem nós esperávamos." A conferência quer ensinar artistas como fazer mais dinheiro e menos bobagens. Não importa se você quer ser um artista, um empresário, um divulgador ou um empreendedor, aqui estão as regras para ser bem sucedido no negócio:


• O futuro é DIY (Do It Yourself – Faça Você Mesmo). Aprenda a usar ferramentas baratas ou gratuitas, mas lembre-se que o importante é o seu trabalho. Software não vai resolver seus problemas.

• O melhor marketing é informado pela arte. Você não pode criar um vídeo viral; tudo depende da audiência. Mas você pode chamar a atenção.

• Se você é um artista, não peça dinheiro emprestado. Só se mantêm o controle artístico mantendo-se o controle financeiro. O oposto se você for um empreendedor. Tim Westergren, fundador da Pandora estourou um dúzia de cartões de crédito e devia dinheiro a todo mundo antes de fazer seu negócio decolar.

• Existem muitos lugares para vender sua música online: Amazon, MySpace, iTunes e TuneCore para iniciantes. Mas não subestime o poder de dar sua música. Lil Wayne ofereceu sua música gratuitamente por mais de um ano antes de lançar seu álbum. Ele trabalhou antes para construir sua base de fãs antes de pedir qualquer dinheiro.

• Os fãs são a nova gravadora. No negócio agora tudo depende da relação entre o artista e seus fãs, especialmente os "uber" fãs, aqueles que compram todo o merchandise, vão a todos os shows e divulgam suas bandas favoritas.

• A chave para estabelecer o contato com os fãs é o e-mail, o dado mais importante que você pode coletar. Tenha uma folha para isso em todos os shows. Peça à audiência para mandar uma mensagem de texto com seus e-mails para o celular do seu produtor e prometa manter pessoalmente esse contato. Dessa forma você terá e-mails e códigos de área. Construa uma comunidade online através de webcasts, fotos, entrevistas e vídeos de shows.


• Engaje seus fãs de uma maneira que faça sentido, nada forçado ou fingido. A banda We The Kings lançou uma série semanal na internet que teve mais de 300 milhões de views. Eles venderam 100.000 discos antes das músicas chegarem no iTunes.


• É perigoso que um artista gaste muito tempo com coisas que não são artísticas. Crie um time de empresariamento para tomar conta das ferramentas, marketing e tecnologia. Se você está começando convoque um amigo que adore música para desenvolver sua marca com você.

• Só assine contratos de curto prazo e se eles forem te dar muita visibilidade. Caso contrário você vai ficar fora do radar.

• Comece localmente, comece com uma tribo. As melhores histórias de sucesso de bandas começaram com uma cena musical. A internet tem permitido que tribos aumentem muito de tamanho. Entre em contato com bandas similares e divida shows com elas. Construam uma cena e trabalhem para que o sucesso aconteça para todo mundo ao mesmo tempo.


Texto original:

http://www.walletpop.com/blog/2009/07/25/so-you-wanna-be-a-rockstar-here-are-the-new-rules/

26 de jul. de 2009

WEBTV ALONA

A WEBTV é uma ação realizada pelo Coletivo ALONA e trará mensalmente matérias ligadas a cultura jovem, bandas independentes, coberturas de festivais e eventos em geral. Outra iniciativa da WEBTV ALONA é a criação de um quadro a ser apresentado pelo ex-VJ da MTV Thunderbird que trará novidades da cultura londrinense, como lançamento de Cds, livros, exposições diversas e shows. O quadro ainda em fase de formatação deve entrar na programação da WEBTV ainda neste semestre.

WEBTV ALONA - Programa # 01
Entrevistas com Marcelo Domingues e Luiz Matias (Organizadores do Festival Demo Sul)
Binho Prado (Apresentação do Coletivo Alona)
Renata Santana (Diretora Cultural da Alona)

Clique aqui para assistir



Coletivo ALONA – Fertilize esta idéia !!!

2 de jul. de 2009

TEATRO NÃO É CRIME


Esta carta é verídica, trata-se de dois atores, que estão respondendo uma ação criminal cuja base da acusação é o fato de fazerem Teatro e participarem do mesmo grupo e, por isto, estarem altamente qualificados a mentir!

Por favor, assinem se vocês discordam da Promotora, enviando para o email
criandoaliberdade@yahoo.com.br com seu nome, rg e profissão, para que componham o abaixo assinado contra atutides preconceituosas que ferem a Constituição e os direitos civis.

O intuito dessa carta não é discutir a inocência deles, mas sim defender uma classe que vem sofrendo um preconceito crescente, o qual culminou com estas injustas palavras da acusação.

Como um dos fatores decisivos para a condenação é o fato deles fazerem Teatro, vê-se o tamanho da ignorância do imaginário que percorre até os tribunais brasileiros!

Esta carta deve ser assinada e enviada com urgência em virtude do processo já estar em fase conclusiva, dependendo apenas da decisão judicial.
Ao Meritíssimo Juiz Paulo Cezar Rodão

FAZER TEATRO NÃO É CRIME!

Em ato de manifesto contra as declarações da promotora de justiça Cláudia Rodrigues de Morais Piovezan, no processo de número 2008.5426-4

“...O réu afirmou que no período que se encontrou preso fez curso de teatro, e quando saiu continuou a exercer essa profissão. Ele relatou que conheceu sua namorada e C. através do teatro, pois as duas eram artistas.

“...Digníssimo Magistrado, acreditamos que não. Em primeiro lugar se fez impetuoso destacar que o réu, em sua passagem pelo presídio local, freqüentou o curso de teatro, e saindo dali passou a integrar um grupo de teatro, o mesmo que integra a co-ré. Portanto pode se reparar que ambos os réus estariam plenamente capacitados para inventar “história” de forma convincente, com único objetivo de confundir o julgador. Ocorre, graças ao belo serviço do ilustre magistrado, que tal objetivo dos réus de ( falsear a verdade) não logrou êxito, pois restou completamente comprovado que tais afirmações DE INOCÊNCIA dos réus não passam de falácias, com o intuito de iludir a justiça.”

“...Será que o defensor temia que a ré fosse reconhecida; será que se insurgiu com a retirada do réu apenas para fazer jogo de cena? Afinal estamos tratando de um grupo teatral.”
(Partes do processo de acusação do Ministério Público, Autos número 2008.5426-4, ALEGAÇÕES FINAIS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO.

Nós, abaixo assinados, através deste manifesto, queremos demonstrar nossa indignação aos termos usado pela promotora de justiça Cláudia Rodrigues de Morais Piovezan, no processo de número 2008.5426-4, ao pedir a condenação dos réus baseada na profissão que eles exercem e não nos fatos pertinentes ao crime. Para ela, os acusados não são dignos de credibilidade por fazerem parte de um grupo teatral.
O sentimento de indignação é pertinente já que ninguém deve ser julgado por sua profissão; julgar alguém baseado em pré-conceitos é rotular e comprometer toda a classe artística que, com seu oficio, tem nele o seu meio de sobrevivência e realização. Acreditamos que o nosso trabalho é tão nobre quanto qualquer outro. Imagine, meritíssimo, uma sociedade sem artistas (atores, pintores, cantores, compositores, dançarinos, escultores), médicos, advogados, jornalistas, enfermeiros, cientistas, professores; imagine se todos os indivíduos fossem condenados baseado na profissão: os psicólogos seriam acusados de usar o seu conhecimento com o intuito manipular os indivíduos, os jornalistas seriam acusados de manipular as informações, o professor de confundir as pessoas com o seu conhecimento e sua didática, o advogado obteria vantagem por se utilizar da sua oratória, o filósofo por estudar profundamente o ser humano. É importante ressaltar também que ninguém dorme com a sua profissão, o médico na casa dele não é só o médico, o professor não é professor o tempo inteiro, o ator também não é uma máquina que interpreta o tempo inteiro.

Todos temos vantagens e desvantagens sobre o outro, tanto como profissionais quanto como pessoas temos o nosso valor e nosso lugar. Perante a lei devemos ter os mesmos direitos, não encontramos em nenhum artigo do código constitucional brasileiro que o teatro é crime. Se assim o fosse, não teria sentindo ter um curso de Artes Cênicas formando profissionais nesta área na Universidade Estadual de Londrina (UEL), ou uma Escola Municipal de Teatro, ou um Festival Internacional de Teatro (FILO), ou qualquer curso que ensine essa arte, ou ainda qualquer grupo que se reúna com o objetivo de fazer teatro. Vivemos em um país democrático, onde o julgamento deve ser justo e humano independente de raça, cor, credo, profissão, sexualidade. E que todos, perante a lei, devem ser tratados com respeito e igualdade.
Não é porque pessoas se reúnem para fazer teatro que fazem parte de uma organização criminosa; ou que pelo simples fato de serem atores possam estar altamente capacitados a manipular e a falsear a verdade. Rotular os grupos teatrais dessa forma é querer enxergar ou maquiar de forma superficial e preconceituosa a realidade. Compromete a democracia e as garantias básicas de qualquer cidadão. E, num país como o nosso, pessoas se reúnem sim, seja para conversar, estudar, pensar, ensaiar e fazem isso sem se envergonhar de terem na arte o seu meio de ganhar a vida de forma honesta e digna.
Essa carta é uma forma de manifesto contra qualquer ato arbitrário ou preconceituoso que possa comprometer as liberdades individuais ou de toda uma classe de profissionais.

Segue abaixo as assinaturas das pessoas que se sentiram agredidas, ofendidas, indignadas. E, mais que isso, acreditam que teatro não é crime.