26 de ago. de 2009

Bandas esquetam o frio de Paraíso do Norte

A chuva e o frio eram os grandes vilões em Paraíso do Norte/PR no dia anterior ao festival Paraíso do Rock, mas nem as pancadas esporádicas e os avisos da garota do tempo na TV estragaram, ou espantaram o público interessado em participar da mesa redonda sobre rock independente e, de quebra, ver um show acústico de Wander e Nevilton.

O festival em si começou no dia 11 de julho, por volta das 23h, com a apresentação do Ex-Cabelos, fazendo um rock pop romântico. Naturais da cidade de Paraíso do Norte, abriram o festival com muito jogo de cintura. Destaque para "Seco e Suado" e "Outra História de Amor", que estava num clima bastante intimista.



Depois veio o Nevilton. O povo começou agitar, e, em meio à galera Nevilton descarrega um jam de Hermeto Paschoal e o arrasta pé come solto. A presença de palco é vibrante e os típicos movimentos da banda, os famosos saltos sincronizados, performáticos e ornamentais em meio ao virtuosismo da guitarra e baixo alto, sustentando a poesia das composições. Em destaque as músicas "Ballet da Vida Irônica", "Bolo Espacial", "Bolerotèque", "Paz e Amores", "Maracujá" e "Máscara".


Na seqüência veio o Relespública (ou Reles, como é conhecido pelos fãs). A banda curitibana arrebentou e de pronta manteve a animação da galera. O três pontos ápices do show vieram em "Camburão", "A Minha Menina", cover de Jorge Ben, e "Homem-Bomba", com a galera cantando junto. "Garoa e Solidão" foi dedicada a quem já levou um pé na bunda. Destaque também para "Eu Sou Terrível", em homenagem aos 50 anos do rei Roberto Carlos. O set foi fechado com "Nunca Mais".

O gaúcho Wander Wildner, headliner do evento, acabou tocando na frente do Zefirina Bomba, furando a escala programada do evento. O músico se apresentou com sua banda formada pelos amigos e companheiros de longa estrada Jimi Joe (guitarra), Georgia Branco (baixo) e Pitchu (bateria). Agradou a todos que estavam ansiosos por seu show, não importando a idade ou o nível de cerveja. Numa apresentação carismática, digna de um dos ícones do punk rock nacional, Wander, performático como sempre, simplesmente fez com que todos cantassem juntos música a música todo o setlist, numa apresentação mais que memorável. No repertório: "Mantra Das Possibilidades", "La Cancion Inesperada", "Bebendo Vinho" (com uma palhinha do amigo e prefeito da cidade que em seguida dá um mosh), "Um Bom Motivo", e, em meio a gritos de seu nome, Wander começa a execução de "Eu Não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro", "Mares de Cerveja" e encerra com "Eu Tenho Uma Camiseta Escrita Eu Te Amo".

O power trio paraibano Zefirina Bomba encerrou a noite do festival Paraíso do Rock com seu pós-punk, misturado com hardcore alternativo, surf music e outros estilos a definir, por indefinição. As primeiras quatro músicas da apresentação do Zefirina foram uma espécie de teste de seu novo álbum, que começou a ser gravado no Rio no dia 13 de julho, com produção de Rafael Ramos, que será lançado de forma independente. A apresentação já para um público menor, mas não menos importante ou rocker, era como a proposta da banda em seu primeiro trabalho, o “Noisecoregroovecocoenvenenado” e sua máxima: "Nós só precisamos de 20 minutos para rachar a sua cabeça". “As bandas boas acabam cedo”, comenta o vocalista Ilsom depois de executar um cover de Los Canos. A pedido do público, ainda vieram algumas do Nirvana, que levaram o povo pra se jogar e cantar junto.


Depois da apresentação de encerramento do Zefirina Bomba ainda tivemos uma jam session de Nevilton e Wander Wildner. A tão esperada jam se limitou a apenas barulho, e Wander já abatido e cansado pelo frio, mas ainda divertidíssimo gritando "É só uma jam, João!”. Wander deixou o palco à francesa e a tal jam ficou a cargo do power trio Nevilton, que tocou diversas músicas, de nomes como Ramones, Rolling Stones, Black Sabath e Nirvana, em versões pra lá de inusitadas, contando também com uma participação de leve do General Urkö, do Trilöbit.


Por Everton Pardal Soares / Fotos: Marcelo Domingues - coletivo ALONA

Festival Paraíso do Rock é iniciado com debate e shows acústicos

Por Everton Pardal Soares / Fotos: Binho Prado

No dia 10 de julho foi realizado na cidade de Paraíso do Norte, no Paraná, um debate sobre a cena rock independente, envolvendo temas como produção, novas linguagens, internet e integração cultural latino-americana. O evento foi mediado por Andye Lore da rádio UEM (Universidade Estadual de Maringá) e do jornal O Diário e também produtor da Zombilly (tradicional festa indie realizada em Maringá). O debate contou com a participação dos artistas Ilson (Zefirina Bomba), Nevilton (Nevilton), Felipe Vizzottto, Wander Wildner, Marcelo Domingues (produtor do festival Demo Sul) e o gestor público da cidade Beto Vizzotto.

Temas fortes, como leis de incentivo, políticas públicas em relação a cultura, produção cultural, além de discussões sobre vilas culturais, circuito de festivais, parcerias, apoios, planejamento e iniciativa de fazer algo no estilo "faça você mesmo", aqueceram o debate.

A Casa de Cultura, local que abrigou o debate, lotou, mostrando louvável mobilização em prol de um bem maior, comum a quem gosta de música e expressões artísticas. Paraíso do Norte, no Paraná, é exemplo disso. A política pública local e o apoio da população de todas as idades fizeram com que a segunda edição do festival fosse um sucesso, assim como a primeira, e aguardamos ansiosos a próxima.

Ao final do debate aconteceu um acústico de Wander Wildner e Nevilton numa prévia do que seria o evento no sábado, dia 11, cheio de rock'n'roll e muitas sensações e lembranças.

25 de ago. de 2009

Ações do Circuito Fora do Eixo

No dia 19 de agosto aconteceu mais uma reunião de pauta do setor de audiovisual do Circuito Fora do Eixo: Rafael (Massa Coletiva - São Carlos/SP), Tassio (Goma - Uberlândia/MG), Raphael (Interior Alternativo - Ji-Paraná/RO), Gabriel (Lumo - Recife/PE) e Laura (Lumo - Recife/PE) debateram em duas horas no msn do FE quatro pautas distintas. "A próxima edição do Curto Circuito Fora do Eixo", o Programa Compacto.Vídeo, o Blog TV Fora do Eixo e as Entradas ao vivo da WebTv. No blog Fora do Eixo Tec você confere os resumos do que foi decidido em cada pauta, entre outras novidades do segmento.

(fonte: cubo comunicação)

19 de ago. de 2009

Duda e os Modernetes



O autor da tirinha, Pietro Luigi, também integra o Coletivo ALONA e já teve seus trabalhos publicados na revista Mad e Revista Up.

12 de ago. de 2009

PEC da Música é aprovada; emenda segue agora para a Câmara

Gabriel Ruiz / ALONA Comunicação

A proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz em pelo menos 25% os impostos sobre o preço final de CDs e de DVDs musicais brasileiros, conhecida como PEC da Música, foi aprovada na quarta-feira (05/08), pela Comissão Especial da Câmara.

O deputado Otávio Leite (PSDB/RJ), primeiro autor da emenda, acredita que a isenção de impostos - que já existe para livros, por exemplo - trará benefícios aos usuários de celular interessados em baixar ringtones e também para quem baixa músicas na web. "A não tributação ajuda a formalizar a venda de música na internet", comenta o deputado.

A PEC deve passar agora por votação em dois turnos no plenário da Câmara e depois segue para o rol do Senado. Para ser aprovada na Câmara serão necessários os votos de, no mínimo, 308 deputados em cada um dos turnos de votação.

Abrafin apoia proposta do Governo Federal Música Brasil

Associação apóia proposta do Governo Federal para setor musical O vice-presidente da Associação Brasileira de Festivais Independentes de Música (Abrafin), Pablo Capilé, apresentou seu apoio à Rede Música Brasil, 16 de julho, em audiência com o ministro da Cultura interino, Alfredo Manevy.


“Nota do Music News"

A iniciativa da criação deste Fórum Pró Conferencia nasceu em um encontro paralelo no Porto Musical com integrantes da Funarte, Minc, Circuito Fora do Eixo e outros importantes integrantes e ativistas da música brasileira, como: o músico Benjamim Taubkin e a produtora musical Lú Araújo, entre outros. Já a discussão sobre o projeto Circula Brasil!, hoje rebatizado, “Rede Música Brasil” partiu da própria Funarte, através do Cacá Machado e Thiago Cury para re-significar, maximizar e oxigenar os fóruns de discussões já criados nos últimos anos, principalmente na questão da circulação nacional dos artistas e bandas pelo Brasil. A idéia da Funarte desde o início desta gestão, foi propor, e mais uma vez, oxigenar a discussão sobre a música e suas particularidades com a sociedade civil e organizada em nosso país. E outras importantes entidades apóiam e participam da criação da “Rede Brasil Música” como: PRODISC-CE, SIM MG, ABMI - Nacional, BM&A – Nacional, Abrafin, Forúm Nacional da Música, Cooperativas Nacionais, Música Pra Baixar – RJ. Entre muitos outros profissionais da cadeia produtiva da música brasileira, bem como os artistas.” Todos estão de parabéns!

A Rede é uma proposta estruturante de política do Governo Federal para o setor musical, elaborada pela Fundação Nacional de Artes (Funarte) em discussões com o segmento. A primeira versão da Rede Música Brasil foi apresentada durante o evento Porto Musical, em Recife, pelo diretor do Centro de Música da Funarte, Cacá Machado, ainda com o nome Circula Brasil. Após a consulta do setor, o programa foi ampliado e rebatizado. A série de editais e programas de qualificação que compõem a Rede Música Brasil serão anunciadas na Feira de Música de Fortaleza, em agosto. A primeira ação do programa será a inclusão do grupo Pró-Conferência Nacional de Música na plataforma do Fórum de Cultura Digital Brasileira. Além de receber o apoio à proposta do governo, o ministro interino e secretário executivo do MinC elogiou as ações da Abrafin. “Parabéns pela iniciativa, pois esse é o momento em que a economia do setor musical está em processo de reformulação”, ressaltou Manevy.

Ele também elogiou a iniciativa da Abrafin de aderir à proposta, afirmando que é importante a construção dessa rede para que o segmento ganhe legitimidade. “Essa é uma área marcada pela fragmentação de nichos, de estilos e posicionamentos, portanto, essa proposta é bem-vinda para que ganhe corpo, voz e suas reivindicações possam ser colocadas na Conferência Nacional de Cultura.” Salientou, no entanto, que a proposta não pode ganhar um caratér puramente político, precisa agregar e ser criativa. Para o secretário executivo do MinC, a politização exacerbada da iniciativa pode esvaziá-la e assim todo o esforço se constituiria em tempo perdido, pois os erros cometidos no passado estariam se repetindo. “Não pode haver a politização no mau sentido, e sim no bom que é agregar vozes dissonantes em um discurso forte e comum”, explicou. “Nos últimos quatro anos, o segmento musical se organizou de uma forma impressionante. Houve muitos avanços na área, alguns nichos eliminaram vários gargalos.

Precisamos aproveitar esse momento e avançar no sentido de que a Rede Música Brasil funcione como esse grande guarda-chuva que proteja os diversos atores e os una em torno de uma agenda comum”, enfatizou Capilé. Também participaram da audiência o secretário de Políticas Cultura do MinC, José Luiz Herencia, e o diretor do Centro de Música da Funarte, Cacá Machado.

Quem tem algo a dizer poderá entrar na Pró Conferencia e solicitar a sua inclusão pelo E-mail planejamentocubo@gmail.com.

7 de ago. de 2009

O coletivo B.I.L divulga os videoclipes selecionados para o 1º FESTIVAL CANOENSE DE VIDEOCLIPES INDEPENDENTES

O Coletivo de Bandas Independentes Locais (B.I.L) e a Secretaria de Cultura de Canoas tem o prazer de anunciar os videoclipes selecionados para o 1º FESTIVAL CANOENSE DE VIDEOCLIPES INDEPENDENTES. Para conhecer os selecionados confira a lista abaixo.

Banda/Música de trabalho:

Redoma ( POA ) –Breve

Marco Zero ( Canoas ) – 1 de Novembro

Sleeping Bags( Canoas ) – Maluco das Bonecas

Los Arcaides ( Canoas ) – Diga-me com quem andas...

Calibe ( POA) - Dois Corpos

New Trash ( Santa Maria ) – Outra forma de viver

Éden ( Canoas ) – Quem sabe

Flores do Fogo ( Canoas ) – Dinheiro

Seadi ( POA) – Você vive em mim

Carona ( Esteio/ Sapucaia) – Bobagens

MokoJoe ( POA ) – Caminho Certo

Fróide Explica ( POA ) – Gordini Invocado

Luto! ( Canoas ) – Tinnitus

The Efficients ( Canoas/POA ) – Efeitos

Vortex ( POA ) – Ali na Esquina

Clã Mcloud ( POA ) – Não vou me desculpar

Bleff ( São Leopoldo ) – Bonifrate

Aeromoças e Tenistas Russas ( São Carlos/SP ) – Solarística

Trilobit ( Londrina/PR) – Sexy Groove Machine

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O 1º FESTIVAL CANOENSE DE VIDEOCLIPES INDEPENDENTES, uma realização do Coletivo de Bandas Independentes Locais (B.I.L), com apoio da Secretaria de Cultura de Canoas, acontece no dia 08 de Agosto, a partir das 18h na Fundação Cultural de Canoas; Av. Victor Barreto, 2031, Centro. Os ingressos devem ser adquiridos no evento pelo valor simbólico de R$ 2,00 (dois reais).

O Festival tem início com a suavidade da banda Fernanda Krüger Trio (São Leopoldo), seguida da Mostra de Videoclipes Não Competitiva, onde serão exibidos clipes de vários estados brasileiros. Depois é a vez da banda Processo Inverso (Canoas) agitar a Festa com alguns decibéis a mais, abrindo para Mostra Competitiva, vale lembrar que os vídeos dessa categoria são exclusivamente gaúchos. O encerramento fica por conta das bandas Germicida (Esteio), representante da Associação Esteiense de Rock (A.E.R), e Nunca Inverno (Blumenau/SC), um dos grupos mais expressivos da nova geração do hardcore brasileiro.

A comissão de jurados responsável por escolher os grandes vencedores da noite é composta por Cássio Navarro, Dono do Estúdio Navarro, Produtor e Representante do Coletivo B.I.L; Clarissa Cardoso, Cineasta representante da Secretaria Municipal de Cultura; Paulinho Batera, Músico e Editor da revista The RockMaker; Everton Acosta, Músico, Produtor e Professor de Música; e Cebola, Músico.

As bandas que participam da Mostra Competitiva concorrem aos seguintes prêmios:

  • 1º Lugar - Produção de um EP com 4 músicas pelo estúdio NAVARRO;
  • 2º Lugar - 8h de ensaio no estúdio NAVARRO;
  • 3º Lugar - Vale presente de R$ 120,00 (cento e vinte reais) da camiseteria ARMAZÉM DO ROCK;
  • Escolha do Público - Vale presente de R$ 100,00 (cem reais) da loja PRISMA DISCOS e um vale presente de R$ 200,00 (duzentos reais) de uma loja de instrumentos musicais a ser definida.

3 de ago. de 2009

*Elite Assustada

A campanha de grande parte da mídia para denegrir toda e qualquer ação do governo Lula está levando até mesmo articulistas tidos como equilibrados ao desvio do jornalismo panfletário e, pior, preconceituoso. É o caso do sr. Gilberto Dimenstein, da Folha de S. Paulo, que criticou o “Vale Cultura”, lançado na última quinta-feira, em São Paulo, pelo presidente Lula.


No final de semana, ele gastou boa parte de sua coluna para desfilar um rosário de críticas ao “Vale Cultura”, com direito a chamada de capa do jornal destacando o risco de “desperdício” de dinheiro público. Em artigo anterior, no mesmo jornal, Dimenstein já havia dito que tinha receio de que “com esses R$ 800 milhões se estimule, com dinheiro público, acesso à cultura exclusivamente comercial”. Neste novo artigo, ele aprofunda seu argumento de que o dinheiro seria melhor utilizado para estimular a presença de público em eventos já existentes, que seriam gratuitos e pouco frequentados.

Diante da observação anterior, imagina-se que os tais eventos seriam, por exemplo, as exposições do Masp, na Avenida Paulista, ou algum outro santuário da “verdadeira” cultura não comercial. Na verdade, em nome de atacar a iniciativa do governo, o “vale tudo” da mídia faz boa parte da crítica perder-se em uma linha de argumentação com um tal grau de elitismo, hipocrisia e preconceito que remete a outras épocas da história recente da humanidade. Durante anos, décadas, com raras exceções, a mídia nacional tratou a cultura em geral como um assunto de elite - rica, claro, branca, sob influência imperial européia e, depois, americana, e de costas para a América Latina. Talvez por isso seja tão difícil aceitar que o povo - que ainda tem a liberdade de escolha! - vá gastar “dinheiro público” para assistir um show de Vitor & Léo, um filme de atores globais ou comprar um livro de auto-ajuda. Mas, como disse um amigo artista, o importante de tudo isso, no mínimo, é que as pessoas, em milhares de casos, entrarão em um teatro pela primeira na vida, ou comprarão um livro para ler.

Nunca é demais lembrar que, atualmente, devido a inclusão cultural proporcionada pela internet, a cena independente nacional floresceu principalmente fora dos grandes centros urbanos e nos subúrbios do país. Aliás, um tema que também mereceu a crítica do mesmo jornal por conta do apoio público aos festivais, como se isso fosse um "crime", e não um dever do Estado para com a sociedade. A crítica ao “Vale Cultura”, em última instância, é a mesma que fazem ao “Bolsa Família”, compreensível para quem ainda não aceita a emergência social de uma ampla massa de brasileiros. Se antes erraram quando afirmaram que o dinheiro para comida estimularia a vagabundagem, agora devem morrer de medo de entrar em um teatro e encontrar um pobre sentado ao seu lado. E o mais divertido, em uma peça de Shakespeare.

*O escritor, Fernando Rosa, é editor do portal Senhor F e, quando adolescente de subúrbio e office-boy, economizava o dinheiro do almoço para ir ao cinema, comprar discos e livros.