27 de mar de 2011

Silêncio

Antes de o Grito começar,  eu pensei que três dias podia ser bem pauleira. Pensei que, depois de uma noite, eu já não ia mais aguentar, que ia levar no cansaço, que meu sono ia acumular. E eu tava certa. Os bastidores de um Festival dependem de muito corre e a Cobertura Colaborativa não fica atrás. A gente não tem muitas horas de sono, chega em casa de madrugada, acorda tarde e sabe que à noite o Grito continua e que não dá pra deixar a peteca cair. 

Rock. Porque o Grito, infelizmente, acabou.
 Mas calma, que isso aqui não é reclamação. Muito pelo contrário. A gente não enjoa de dizer o quanto isso é bacana. Justamente porque é. Cansa a gente, é verdade, mas diverte, anima e, o principal, dá resultado.  É uma delícia quando, na troca de ideias, a banda agradece o Coletivo ou elogia a colaborativa. Quando o público diz que “Cara, vocês são maníacos, isso sim” assustados com a agilidade da cobertura. Quando as pessoas são provocadas, seja pelo OrFel, pelo tal do Card, pelo Varal, a Cabine, a banda, as mini-turnês, enfim, com algo que a gente tenha preparado única e exclusivamente pro público que, a cada noite, a gente também esperou ansioso.

Eu que, depois de um “happy hour mais pastel de feira” com a Colaborativa, ainda tô meio passada, não consegui fazer um balanço final. Algo, em algum lugar, deve ter faltado certamente, em outro, no entanto, deve ter sido sucesso total.. Eu ainda não sei. Mas o que eu sinto é uma necessidade de agradecer alguém, que eu duvido que vá ser uma pessoa só e eu ainda não imagino onde possa estar.  

Colaborativa espremidinha na Cabine da Cabrera.
Sem destinatário definido, esse grito de agradecimento entalado deve chegar aos ouvidos de todo e qualquer um que tenha atravessado a porta do Alona na quinta, sexta ou sábado. Não precisa nem ter passado fisicamente. Esse obrigada é pra quem mandou poesia, pra quem botou a economia solidária pra rolar, pra quem não pode passar pela porta porque tava trabalhando JUSTAMENTE na entrada. Esse obrigada é pra todo mundo. E é um obrigada de parabéns, um obrigada dizendo UFA, porque, conversando com as pessoas, lendo esse blog, saindo pro Happyhourpastel com a colaborativa, eu só consigo pensar que a gente fez direito. Deu certo! E eu sinto orgulho de todos vocês. 


Obrigada.

4 comentários:

Anônimo disse...

Muito foda o trampo de vocês! Na quinta e na sexta estava em sampa, mas volta e meia acessava o acenalondrinablogspot e me informava "lendo, vendo e ouvindo" do que estava rolando. Parabéns pelo trampo e pela psicopatia, rs. Foi tudo muito foda!



Walter (Locodillos)

Sinner Jack disse...

É o tipo de loucura que vale a pena! Achei muito bonito este texto. Parabéns a vocês! A Colaborativa do Alona deu exemplo de como fazer nesse Grito Rock. Muito boas as matérias e escritas ali, no calor da batalha! Uma amiga minha ficou impressionada com a rapidez com que postaram tudo e, ainda por cima, sem perda nenhuma de qualidade! É um prazer trabalhar com uma equipe assim.

Sinner Jack disse...

Sobre o Alona, bandas integrantes, equipe colaborativa e todos os que trabalharam e gritaram conosco: Acho que cumprimos com honra nosso papel de agitadores. GRITAMOS! E se gritamos para o silêncio, algum eco se faz ouvir, podem ter certeza. Em algum canto... dessa cidade ouviram nosso grito. E alguns até gritaram junto. E o grito ecoa além da paróquia, para se juntar aos gritos das dioceses vizinhas e distantes. Um grito que, ecoando, vai mudando de sotaque e chega até a ir tomando um ar meio que portunhol. E vai se espalhando, pintando da cor do rock (aquela cor que a gente apenas sente, mas que não vem na caixa de lápis, nem naquelas, com seiláquantascores da Faber Castell) cada estrelinha da nossa amada imposta bandeira progressista, um GRITO ROCKStar, e vai pintando os símbolos das bandeiras dos países hermanos, vizinhos. O Grito que não respeita aduanas, e vai dominando toda a América Latina. Que orgulho teria o admirável Guevara desse Grito cidadão do mundo. E que orgulho podemos ter de tê-lo Gritado. Porque o Grito é nosso. Nossa voz, com as palavras que escrevemos. É nosso GRITO AUTORAL! E continuemos, portanto, GRITANDO, e gritemos de novo, antes que o último eco cesse. Que tentem nos calar com seu silêncio, para que possam dormir cedo, ou para que não atrapalhemos a bandinha tocando pela seiláquetésima vez a mesma musiquinha repetida que os agrada, das únicas bandas que gostam de ver copiarem. Continuaremos GRITANDO! E conosco sei que cada vez mais vozes! E nosso eco reclamando mudanças, invadindo as paredes das salas dos silentes, incomodando seu sono e atrapalhando seu jantar frente a novela preferida! E ao invés de um abraço, dessa vez mais mando novamente meu GRITO: ROOOOOCK!

Gabriel Ruiz disse...

Arrepiei Isa. E isso é a melhor coisa que um poeta pode arrancar de um ser.
Adoro a sua intensidade latente e o olhar profundo, humano.
Obrigado pela sensação, vc é incrível escrevendo.

beijo.