2 de jul de 2009

TEATRO NÃO É CRIME


Esta carta é verídica, trata-se de dois atores, que estão respondendo uma ação criminal cuja base da acusação é o fato de fazerem Teatro e participarem do mesmo grupo e, por isto, estarem altamente qualificados a mentir!

Por favor, assinem se vocês discordam da Promotora, enviando para o email
criandoaliberdade@yahoo.com.br com seu nome, rg e profissão, para que componham o abaixo assinado contra atutides preconceituosas que ferem a Constituição e os direitos civis.

O intuito dessa carta não é discutir a inocência deles, mas sim defender uma classe que vem sofrendo um preconceito crescente, o qual culminou com estas injustas palavras da acusação.

Como um dos fatores decisivos para a condenação é o fato deles fazerem Teatro, vê-se o tamanho da ignorância do imaginário que percorre até os tribunais brasileiros!

Esta carta deve ser assinada e enviada com urgência em virtude do processo já estar em fase conclusiva, dependendo apenas da decisão judicial.
Ao Meritíssimo Juiz Paulo Cezar Rodão

FAZER TEATRO NÃO É CRIME!

Em ato de manifesto contra as declarações da promotora de justiça Cláudia Rodrigues de Morais Piovezan, no processo de número 2008.5426-4

“...O réu afirmou que no período que se encontrou preso fez curso de teatro, e quando saiu continuou a exercer essa profissão. Ele relatou que conheceu sua namorada e C. através do teatro, pois as duas eram artistas.

“...Digníssimo Magistrado, acreditamos que não. Em primeiro lugar se fez impetuoso destacar que o réu, em sua passagem pelo presídio local, freqüentou o curso de teatro, e saindo dali passou a integrar um grupo de teatro, o mesmo que integra a co-ré. Portanto pode se reparar que ambos os réus estariam plenamente capacitados para inventar “história” de forma convincente, com único objetivo de confundir o julgador. Ocorre, graças ao belo serviço do ilustre magistrado, que tal objetivo dos réus de ( falsear a verdade) não logrou êxito, pois restou completamente comprovado que tais afirmações DE INOCÊNCIA dos réus não passam de falácias, com o intuito de iludir a justiça.”

“...Será que o defensor temia que a ré fosse reconhecida; será que se insurgiu com a retirada do réu apenas para fazer jogo de cena? Afinal estamos tratando de um grupo teatral.”
(Partes do processo de acusação do Ministério Público, Autos número 2008.5426-4, ALEGAÇÕES FINAIS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO.

Nós, abaixo assinados, através deste manifesto, queremos demonstrar nossa indignação aos termos usado pela promotora de justiça Cláudia Rodrigues de Morais Piovezan, no processo de número 2008.5426-4, ao pedir a condenação dos réus baseada na profissão que eles exercem e não nos fatos pertinentes ao crime. Para ela, os acusados não são dignos de credibilidade por fazerem parte de um grupo teatral.
O sentimento de indignação é pertinente já que ninguém deve ser julgado por sua profissão; julgar alguém baseado em pré-conceitos é rotular e comprometer toda a classe artística que, com seu oficio, tem nele o seu meio de sobrevivência e realização. Acreditamos que o nosso trabalho é tão nobre quanto qualquer outro. Imagine, meritíssimo, uma sociedade sem artistas (atores, pintores, cantores, compositores, dançarinos, escultores), médicos, advogados, jornalistas, enfermeiros, cientistas, professores; imagine se todos os indivíduos fossem condenados baseado na profissão: os psicólogos seriam acusados de usar o seu conhecimento com o intuito manipular os indivíduos, os jornalistas seriam acusados de manipular as informações, o professor de confundir as pessoas com o seu conhecimento e sua didática, o advogado obteria vantagem por se utilizar da sua oratória, o filósofo por estudar profundamente o ser humano. É importante ressaltar também que ninguém dorme com a sua profissão, o médico na casa dele não é só o médico, o professor não é professor o tempo inteiro, o ator também não é uma máquina que interpreta o tempo inteiro.

Todos temos vantagens e desvantagens sobre o outro, tanto como profissionais quanto como pessoas temos o nosso valor e nosso lugar. Perante a lei devemos ter os mesmos direitos, não encontramos em nenhum artigo do código constitucional brasileiro que o teatro é crime. Se assim o fosse, não teria sentindo ter um curso de Artes Cênicas formando profissionais nesta área na Universidade Estadual de Londrina (UEL), ou uma Escola Municipal de Teatro, ou um Festival Internacional de Teatro (FILO), ou qualquer curso que ensine essa arte, ou ainda qualquer grupo que se reúna com o objetivo de fazer teatro. Vivemos em um país democrático, onde o julgamento deve ser justo e humano independente de raça, cor, credo, profissão, sexualidade. E que todos, perante a lei, devem ser tratados com respeito e igualdade.
Não é porque pessoas se reúnem para fazer teatro que fazem parte de uma organização criminosa; ou que pelo simples fato de serem atores possam estar altamente capacitados a manipular e a falsear a verdade. Rotular os grupos teatrais dessa forma é querer enxergar ou maquiar de forma superficial e preconceituosa a realidade. Compromete a democracia e as garantias básicas de qualquer cidadão. E, num país como o nosso, pessoas se reúnem sim, seja para conversar, estudar, pensar, ensaiar e fazem isso sem se envergonhar de terem na arte o seu meio de ganhar a vida de forma honesta e digna.
Essa carta é uma forma de manifesto contra qualquer ato arbitrário ou preconceituoso que possa comprometer as liberdades individuais ou de toda uma classe de profissionais.

Segue abaixo as assinaturas das pessoas que se sentiram agredidas, ofendidas, indignadas. E, mais que isso, acreditam que teatro não é crime.

Um comentário:

Carpello disse...

Juro que quando li o titulo do texto, pensei que fosse uma propaganda de uma peça de teatro!

Pedir a acusação d um réu com base na profissão que este exerce é um absurdo!

Realmente parece uma obra de ficção...MAS não é!!
Isso ae BraZilzão (com Z mesmo....ke é pra inglês VER).

Cobaia, Vocalista da Carpello