11 de mar de 2011

Músicos alavancam no cenário independente em Londrina

Artistas já podem participar direta e ativamente de todas as etapas do processo criativo, produtivo e de distribuição de seus trabalhos

Ser independente na indústria da música já não significa mais uma etapa intermediária ou provisória. Para as bandas e músicos que buscam profissionalização e inserção no mercado, a cena independente, que antes era apenas o primeiro degrau na escala econômica da indústria da música, tornou-se meta, como uma possibilidade real e viável para uma carreira autônoma e sustentável.

Com essa perspectiva, o Coletivo Alona tem se reunido desde janeiro deste ano com cinco bandas independentes de Londrina para desenvolver ações voltadas à produção artística e reflexão sobre a política cultural de desenvolvimento da cena musical de Londrina. O coletivo integra o Circuito Fora do Eixo, uma rede de trabalhos concebida por produtores culturais, artistas e parceiros no fomento ao cenário cultural independente.

Entre as bandas envolvidas no projeto londrinense, Lanivus, Monkberry, Tênis Sujo e Um Scarpin, Brazilian Cajuns Southern Rebels e Locodillos têm ultrapassado a idéia de um selo ou uma agência, desenvolvendo projetos de circulação, formação e registro de seus trabalhos.

Para Marcelo Domingues, coordenador do grupo de trabalho de Música do Alona, a necessidade de renovação e atenção para novas possibilidades de inserção da cena musical local nos grandes centros de efervescência cultural do país ficou mais clara durante as prévias do Festival Demo Sul, realizadas na cidade em setembro de 2010. “Ali, dialogamos brevemente com as bandas, mas deu para sentir que muitas delas entendiam e estavam dispostas a trabalhar com essa nova plataforma de mercado que está sendo construída pelas maiores frentes de desenvolvimento na área da música brasileira atual, como a Rede Música Brasil (RMB), Associação das Rádios Públicas (ARPUB), Associação Brasileira de Festivais Independentes (ABRAFIN) e Circuito Fora do Eixo”.

A primeira ação do Coletivo começa este mês, com o Festival Grito Rock América do Sul, realizado de 19 de fevereiro a 29 de março em nove países da América Latina. A nona edição do festival, quinta em Londrina, se consolida como o maior festival de música integrada do planeta e entre suas diversas campanhas, rotas são traçadas para que as bandas possam circular entre as cidades que realizam o festival. Somente a banda Lanivus, por exemplo, vai circular em 5 cidades para se apresentar durante a temporada do Grito Rock. São elas Itajaí (SC), Araraquara (SP), Bauru (SP), Votorantim (SP) e Londrina (PR). Para Rafa Villas, integrante da banda, a ansiedade é grande. “O Grito Rock é o maior festival integrado da América Latina. Alguém já parou pra pensar o que é isso? Um monstro! E nós vamos ter 5 oportunidades de surpreendê-lo”, conta.

Para a banda Monkberry a cena independente só cresce
Durante a formação de turnês Grito Rock América Latina, o Coletivo conseguiu articular rotas para todas as bandas parcerias da Alona e envolvidas no projeto “Show.COM” que visa registrar um documentário com as impressões extraídas pelas bandas nas cidades por onde vão se apresentar. Na mala, além dos instrumentos, irão CD’s e DVD’s de bandas parceiras do coletivo e a necessidade de trocar informações e ver como trabalham as produções independentes de outras cidades.

Para Alex Lamoneir, integrante da banda Brazilian Cajuns Southern Rebels a cena independente brasileira tem crescido através de circuitos integrados como o Fora do Eixo e facilitado o intercâmbio entre artistas, para promover a saída das bandas daqui para outras cidades, bem como a vinda das bandas de outras regiões para Londrina. “Esse tipo de ação conduz ao crescimento da comunicação entre bandas, que a partir daí podem se ajudar mesmo, seja na divulgação, na programação de shows em conjunto ou ainda na troca de contatos de locais legais para se tocar em todo o país”, afirma Alex.

Além disso, outros projetos e atividades estão em fase de planejamento e pesquisa, todos articulados conforme as linhas de ação definidas coletivamente pelo grupo gestor de música da Alona. Entre eles, está a criação de um banco de dados, no qual estão sendo mapeados festivais, bandas, veículos de divulgação, produtores, selos e potenciais compradores de shows pelo Brasil. Outra meta é o Circuito Alona de Bandas Independentes, ação que visa, a partir de maio, a imersão e o intercâmbio entre bandas do Coletivo Alona e de outras localidades, com shows mensais em Londrina.

Para Leo Formigoni, integrante da banda Monkberry, a cena independente no Brasil é imensa e a cada ano que passa tem crescido mais, tanto em quantidade de bandas, como em qualidade. “Os sistemas de coletivos tem ajudado bastante na comunicação, na abertura de espaços e na contribuição para a cena independente, fazendo com que se facilite o intercâmbio entre artistas de outras regiões do país, o que é de extrema importância para a divulgação das bandas e o crescimento do espaço da música independente”, fala o vocalista.

De acordo com Dênis Alves, integrante da banda Tênis Sujo e um Scarpin, que tem acompanhado os trabalhos do coletivo com as bandas locais, este trabalho já pode ser tomado como um enorme avanço, embora muitas outras ações possam ser realizadas a fim de divulgar o trabalho autoral de bandas independentes. “Tanto parcerias entre bandas que tenham o mesmo objetivo quanto a parceria com profissionais de comunicação e artistas visuais bares e vilas culturais sempre se mostram como boa alternativa para divulgação e atuação nesse cenário”, explica.

Cansada da mesmice, a banda Locodillos aposta na nova cena
Para os músicos cansados da mesmice, a participação em festivais de música independente e em projetos incentivadores de novas possibilidades na cadeia produtiva musical são fundamentais para a renovação da música brasileira. É o que explica Walter Diesel, integrante da banda Locodillos. “Estas bases já estruturadas como o Demo Sul, Grito Rock entre outras, têm incentivado organizações, coletivos e propostas independentes que se espalham pelo universo cultural, em meio a uma reestruturação fonográfica e artística”, afirma o baixista.

2 comentários:

Gedson Santi disse...

uhu uhu
uhu uhu
Pakava it é nosso !

contagem regressiva pro Demo ???

D+

Sinner Jack disse...

É isso aí pessoal. Parabéns pela matéria, vamos juntos mandando ver. Só uma pequena correção no meu sobrenome: é Alex Lamounier. Abraço.